Embalado pela onda de relançamentos especiais de músicos que marcaram e fizeram historia, no dia 5 de junho chega às lojas uma edição comemorativa de “The Rise and Fall of Ziggy and the Spider from Mars”. O disco é um dos mais importantes da carreira de David Bowie e a reedição é, também, para comemorar os 40 anos do álbum, que vai ser relançado nos formatos vinil, CD e DVD, sendo que este último promete revelar faixas inéditas de uma das épocas mais criativas de Bowie.

Apesar de já ter no currículo quatro trabalhos bem-sucedidos até 1971, o Bowie não estava lá muito contente com a repercussão de seu trabalho em rádios e lojas. Influenciado pela recém-fascinação por seres de outros planetas e pela peça de teatro “Pork”, de Andy Warhol (os atores tinham os cabelos coloridos e usavam esmalte e batom pretos), o cantor resolveu transformar em canções a história do seu alter ego Ziggy Stardust, um alienígena que quer salvar a Terra da destruição, anunciada para os próximos cinco anos. No entanto, o ser acaba formando uma banda chamada “Spiders from Mars”, se transforma em uma estrela da música e como tal cede aos exageros do Rock n’ Roll. O suicídio de Ziggy é inevitável.

Da morte do protótipo perfeito de rock star surgiu um David Bowie completamente inovador. Andrógino, o cantor passou a se apresentar caracterizado por mullets vermelhos, macacão de lycra colorido e um raio desenhado no rosto. A era do glam rock, inaugurada anos antes, encontrou no rosto e nas performances teatrias do inglês a representação perfeita de seu som e conceito. A partir de então, as estéticas visuais e sonoras lançadas por Bowie passaram a influenciar moda, música e cinema.

Os lançamentos de “Ziggy Stardust” transcendem a jogada mercadológica das gravadoras, que há alguns anos tem se aproveitado de clássicos de artistas grandes como Paul McCartney e Roger Waters para arrecadar um pouco mais. No caso de Bowie, as novas edições de seu quinto disco fogem da fórmula que combina velhas músicas em novas embalagens. Pesam a seu favor a representatividade do trabalho inesquecível e atemporal, além das chances nulas de o artista novamente cantando nos palcos ou lançando preciosidades como “Ziggy Stardust”.
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