Chico Anysio
  06/01/2009
  Por Edimar Blazina
 


Como foi a noite de lançamento do filme "Se eu Fosse Você 2", aqui em Porto Alegre?
Muito boa, foi muito boa, eu vinha de três lançamentos, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, e a resposta de Porto Alegre foi a melhor de todas. Acima de 50% melhor que a do Rio e de São Paulo, foi a melhor de todas.


Fale um pouco sobre o seu personagem nesse filme.
É uma participação pequena, uma pontinha, uma coisinha muito pequena. O Daniel Filho me deu a liberdade que eu poderia falar o que quisesse, então botei uns caquinhos lá e ficou bom. O filme é maravilhoso, o papel do Tony é uma obra de arte, o da Glorinha (Pires) idem. Gostei muito também do Cássio (Gabus Mendes).


Então pode-se dizer que a tua participação no filme é uma homenagem?
É, o Daniel é muito meu amigo, amigo do coração.


Tu tens mais de 200 personagens. Algum deles é o teu "filho querido", aquele que tu mais gosta?
Sim, claro. Lógico, o Professor Raimundo, porque ele foi o primeiro que eu fiz no rádio, o primeiro também na televisão. Essas duas portas que ele me abriu foram maravilhosas.


Teve algum personagem que tu achaste, a princípio, que o público não iria gostar, mas que acabou te surpreendendo pela aceitação?
Não, nunca tive nenhuma surpresa negativa.


Tu foste um dos precusores do humor na televisão, e também ajudou a tornar conhecida muita gente, que atualmente tem destaque nacional. Como tu vês o humor hoje na televisão?
Eu não vejo porque o meu contrato me proibe de tecer qualquer comentário sobre a programação, ou atitude, tomadas pela direção da casa (a Globo). Então, para não ter problemas eu nem vejo TV aberta. Eu não tenho idéia de como está o humor na televisão.


Algo marcante nos teus personagens são os bordões, como o "Calada", "E o salário oh...", "Tô contigo e não abro". Essas expressões foram criadas há muito tempo e usadas por personagens que não estão mais no ar, mas as pessoas continuam usando e repetindo pelas ruas. Como é para ti ver isso se perpetuando, mesmo passados tantos anos?
Isso é comum acontecer, acontece sempre. Surge um bordão e esse bordão passa a fazer parte do linguajar do povo. Há anos atrás foi o "Garota Enxuta", que hoje tem até no dicionário. Isso é comum acontecer, não me surpreende não.


Alguns dos teus filhos fazem um tipo de humor que está ficando cada vez mais popular no Brasil, o Stand up Comedy. Uma técnica onde o humorista vai de cara limpa interpretar, diferente de ti que usas o humor travestido de um personagem. Tu achas que o Stand up Comedy limita o humorista por usar apenas a si mesmo não podendo ampliar as possibilidades através de um personagem?
Esse estilo, que depois ganhou o nome de Stand up comedy, foi um estilo lançado por mim e pelo José Vasconcelos na década de 1950. E depois o Juca (Chaves) começou a fazer, o Jô Soares também, Agildo Ribeiro, e aí ganhou a América. Depois que foi para os Estados Unidos e lá ganhou o nome de Stand Up Comedy. Quem faz esse estilo de humor, dos meus filhos, é o André Lucas, que fazia o "Puliça" na Escolinha do Professor Raimundo, e o Nizzo Neto, que fazia o "Nem tanto mestre, nem tanto", o "senhor Pitolomeu" - também na escolinha. Esses dois fazem Stand Up comedy. Isso é uma maneira de fazer comédia como outra qualquer. O problema do humor é o seguinte, há dois tipos de humor, o engraçado e o sem graça. Se for engraçado, de qualqer modo, tá bom. Se não for engraçado não tem jeito de explicar.


Depois do sucesso da Escolinha do Professor Raimundo, e da sua saída do ar, muitas outras emissoras começaram a copiar o programa, isso te incomoda de alguma maneira?
Olha, quando a Record fez não me incomodou porque deu emprego pra muita gente que estava desempregada, gente que era da minha Escolinha, então eu não me incomodei. Agora tá me incomodando essa da Bandeirantes e eu vou processar.


Tu sentes falta de estar na televisão? Tu fazes muitas participações em programas e novelas, mas tens mais de 60 anos de carreira e grande parte deles na TV. Tu sentes essa necessidade de estar na televisão ou as participações te suprem?
Sim, claro que eu sinto. Eu passei a vida trabalhando muito, agora, é muito desagradável eu sinto muita falta. Mas eu não posso fazer nada, o que eu vou fazer?


Quais são teus projetos para o próximo ano?
Eu vou fazer um show, pela primeira vez, com caracterizações no palco, e vai se chamar "Tudo Eu". Vou fazer dez caracterizações, em monólogos, e vamos ver como funcionará.


E vens a Porto Alegre?
Sim claro, não tem como não ir a Porto Alegre.

 
   
 


Chico Anysio, a lenda do humor e da televisão brasileira esteve em Porto Alegre, recentemente, para o lançamento do filme "Se eu Fosse Você 2", no qual faz uma participação especial a convite do diretor Daniel Filho.

Dono de aproximadamente 200 personagens e com mais de 60 anos de carreira, Chico Anysio revela, nessa entrevista exclusiva ao QUEB, a saudade que sente de estar na televisão e de como programas parecidos com sua, saudosa, Escolinha do Professor Raimundo lhe incomodam.

Fotos: QUEB, Divulgação "Se eu Fosse Você 2" e blog de Guilherme Guidorizzi.

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